A previsão orçamentária do condomínio para 2027 não deve receber um percentual único de reajuste para todas as despesas ligadas à mão de obra. Funcionários contratados diretamente pelo condomínio e trabalhadores de empresas terceirizadas podem obedecer a datas-base, convenções coletivas e formas de revisão diferentes.
Para os empregados próprios de condomínios da capital paulista, o Sindifícios informa data-base em 1º de outubro. Já a convenção coletiva entre SEAC-SP e SIEMACO-SP, aplicável a atividades terceirizadas como asseio e conservação, portaria, recepção e copa em São Paulo, fixa a data-base em 1º de janeiro.
Na prática, são dois relógios dentro da mesma planilha. E entender essa diferença antes de levar a previsão para conselho e assembleia é o que evita aplicar um percentual único sobre despesas que não seguem a mesma lógica. Esse é o ponto central da previsão de 2027.
O que muda em outubro para quem tem funcionário próprio?
O empregado próprio entra em 2027 com a nova base que começou a valer em outubro de 2026.
Na negociação da categoria para 2026/2027, o Sindifícios anunciou reajuste salarial de 6% e reajuste de 10% no vale-alimentação e no vale-refeição, com data-base em 1º de outubro.
Isso significa que o impacto não fica restrito aos três últimos meses de 2026; quando janeiro chegar, o condomínio já terá uma folha construída sobre o novo patamar.
E folha não é sinônimo apenas de salário. Para montar a previsão, é preciso considerar os componentes efetivamente existentes naquele condomínio, como benefícios e demais despesas decorrentes da relação de emprego. O importante é trabalhar com a realidade da equipe, sem aplicar uma porcentagem genérica sobre uma linha chamada apenas de “pessoal”.
É também por isso que copiar a média mensal de 2026 pode produzir uma referência ruim para o exercício seguinte. Parte daquele ano ainda foi paga sobre uma base anterior.
Por que o contrato terceirizado pede outra conta?
Porque, na terceirização, o condomínio não paga diretamente o salário de cada trabalhador. Ele paga o preço previsto no contrato firmado com a empresa prestadora.
Isso não significa que as mudanças trabalhistas deixem de afetar o custo do serviço. Salários, benefícios e outros componentes ligados à mão de obra fazem parte da formação do preço da prestadora. Quando esses custos mudam, a revisão do contrato precisa ser analisada de acordo com a convenção aplicável e com o que foi contratado.
A Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) registrada entre SEAC-SP e SIEMACO-SP sob o número SP003552/2026 tem vigência de 1º de janeiro de 2026 a 31 de dezembro de 2027 e data-base em 1º de janeiro. Ela abrange, na cidade de São Paulo, atividades como asseio e conservação, serviços terceirizados de portaria, recepção e copa.
Só que há um detalhe decisivo para a previsão de 2027. A própria convenção determina que as cláusulas de natureza econômica não ficam automaticamente mantidas para todo o biênio. Portanto, os percentuais definidos para janeiro de 2026 não podem ser tratados como se já fossem os valores de janeiro de 2027.
Todo contrato terceirizado reajusta em janeiro?
Não.
Janeiro é a data-base das categorias abrangidas pela convenção citada. Isso não significa que todos os fornecedores terceirizados de um condomínio sigam a mesma regra.
Vigilância, manutenção de elevadores, jardinagem especializada e outros serviços podem estar vinculados a instrumentos coletivos diferentes ou a mecanismos próprios de reajuste contratual. O contrato também pode estabelecer índice, aniversário e condições específicas para revisão ou repactuação.
Por isso, antes de escrever “reajuste dos terceirizados” na planilha, o síndico precisa responder duas perguntas: qual instrumento coletivo alcança os trabalhadores daquele fornecedor e o que o contrato estabelece sobre a atualização do preço?
Sem essa separação, despesas diferentes acabam recebendo o mesmo tratamento apenas porque todas envolvem prestação de serviço.
E se o percentual de janeiro de 2027 ainda não estiver definido?
A previsão pode trabalhar com uma provisão, desde que ela seja apresentada como provisão.
Esse cuidado parece pequeno, mas muda a qualidade da informação levada à assembleia. Uma coisa é registrar um custo já conhecido e vigente. Outra é reservar espaço no orçamento para uma despesa esperada cujo valor definitivo ainda depende de negociação ou formalização.
No caso da folha própria, o orçamento de 2027 pode partir da base conhecida em outubro. No contrato terceirizado sujeito a nova definição econômica em janeiro, o síndico pode identificar uma provisão específica e atualizá-la quando os valores forem oficialmente estabelecidos.
O que não deve acontecer é transformar estimativa em fato apenas para fechar a conta.
Como organizar isso na planilha da previsão orçamentária?
Separar as despesas pela regra que realmente incide sobre cada uma torna a leitura mais clara:
| Despesa | O que consultar | Quando muda | Como entrar na previsão |
| Folha própria | CCT aplicável aos empregados do condomínio | Outubro | Usar a nova base já vigente |
| Portaria ou limpeza terceirizada abrangida pela CCT do setor | CCT da prestadora e contrato | Janeiro | Provisionar a revisão de 2027 até a definição econômica |
| Outros fornecedores | Contrato, índice e eventual CCT aplicável | Conforme cada contrato | Projetar individualmente |
Pense em um condomínio no Tatuapé que mantenha uma função com empregado próprio e tenha a limpeza terceirizada. As duas despesas dependem de mão de obra, mas não devem ser colocadas sob uma única linha de “reajuste de pessoal”.
A primeira entra em 2027 carregando a base iniciada em outubro. A segunda precisa ser analisada de acordo com a convenção aplicável à prestadora e com as condições previstas no contrato.
Não foi necessário inventar salário, quantidade de funcionários nem valor mensal para perceber o problema. Basta separar os mecanismos.
O que o síndico precisa levar para a assembleia?
Mais do que um novo valor de cota condominial, o síndico precisa levar uma previsão que consiga explicar.
O conselho deve conseguir identificar qual aumento já está confirmado, qual despesa depende de definição futura e por que duas linhas relacionadas à mão de obra não receberam necessariamente o mesmo percentual.
Essa clareza ajuda a transformar a discussão do orçamento em uma conversa sobre critérios, e não sobre um número final sem origem aparente. Para quem precisa prestar contas e sustentar decisões diante dos moradores, esse detalhe faz diferença.
Na Conviver, essa organização faz parte da retaguarda que oferecemos ao síndico. Nossa frente de Gestão de Pessoas inclui a folha de pagamento e o acompanhamento de quem trabalha no condomínio, aproximando a gestão administrativa da realidade trabalhista que precisa aparecer na previsão.
Perguntas frequentes sobre a previsão orçamentária do condomínio para 2027
Qual é a data-base dos funcionários próprios de condomínios em São Paulo?
Para a categoria representada pelo Sindifícios na capital, a entidade informa data-base em 1º de outubro. Na negociação de 2026/2027, anunciou reajuste salarial de 6% e reajuste de 10% no vale-alimentação e no vale-refeição.
O reajuste de outubro precisa entrar inteiro no orçamento de 2027?
A nova base vigente a partir de outubro já estará valendo no início de 2027. Por isso, a previsão do novo exercício deve partir desse patamar, e não simplesmente da média mensal de todo o ano anterior.
Todo contrato de portaria ou limpeza terceirizada será reajustado em janeiro?
Não. A data-base de janeiro vale para as categorias alcançadas pela convenção correspondente. É preciso conferir o enquadramento dos trabalhadores e as regras do contrato específico antes de projetar a despesa.
O condomínio pode usar o mesmo percentual para folha e terceirização?
Não como regra geral. Salário do empregado próprio, custo total da folha e preço de um contrato terceirizado são despesas diferentes. O reajuste salarial também não corresponde necessariamente ao percentual final de revisão de um contrato.
Como prever um contrato se o reajuste de 2027 ainda não foi divulgado?
A saída é trabalhar com uma provisão claramente identificada como estimativa e atualizar o orçamento quando o valor definitivo estiver disponível. A previsão não precisa fingir que uma informação futura já está confirmada.
A previsão orçamentária de 2027 fica mais segura quando cada despesa entra na planilha com sua própria lógica. Outubro pode mudar a folha própria. Janeiro pode trazer uma nova definição para determinados serviços terceirizados. Outros contratos seguem outros calendários.
Conte com a Conviver
Se reunir folha, contratos e provisões ainda exige que o síndico reconstrua sozinho o caminho até o custo do próximo ano, fale com a nossa equipe. Solicite uma proposta e veja como a Conviver pode organizar essa retaguarda com mais clareza para conselho e assembleia.
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